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Anni Albers: como queremos viver no futuro?

Um olhar para Anni


Anni Albers encarando o horizonte.
Foto: Kunstsammlung NRW/The Josef and Anni Albers Foundation/VG Bild-Kunst


Anni Albers, 1940.
Foto: Josef Albers, circa 1940.© The Josef and Anni Albers Foundation/Artists Rights Society (ARS), New York, 2026

A escola alemã Bauhaus (1919-1933), deixou um legado imensurável ao integrar arte, artesanato e tecnologia. Seu principal conceito, "A forma segue a função", baniu ornamentos desnecessários em prol do minimalismo e da utilidade, moldando a arquitetura moderna, o design industrial e o ensino criativo contemporâneo.


Anni Albers ingressou na Bauhaus em 1922. Como muitas mulheres da época, encontrou barreiras para entrar em áreas como arquitetura ou pintura e foi direcionada ao ateliê de tecelagem. O que inicialmente parecia uma limitação acabou se transformando em uma revolução.


Ela recusou a ideia de que a tecelagem era apenas um artesanato doméstico. Passou a tratar o tecido como uma linguagem visual, explorando ritmo, repetição, textura, cor e estrutura. Para ela, os fios podiam construir imagens e espaços da mesma forma que a tinta ou a pedra. Seus trabalhos unem formas geométricas, forte pesquisa de materiais naturais e industriais, equilíbrio entre arte e funcionalidade e uma sensibilidade tátil extraordinária.


Anni Albers - United, 1934
Anni Albers - Untitled, ca. 1934

Depois que a Bauhaus foi fechada pelo regime nazista, Anni e seu marido, famoso pintor abstrato Josef Alberns, se mudaram para os Estados Unidos. Lá, ela continuou pesquisando tecidos, gravuras e escreveu livros fundamentais como On Weaving, que até hoje influencia artistas têxteis, designers e arquitetos.


Anni Albers com uma cópia de On Weaving em mãos.
Anni Albers com uma cópia de On Weaving, 1965. Foto: Walter Rüdel

Embora Anni e eu tenhamos um mundo de diferenças, penso que nossos trabalhos estabelecem um diálogo profundo. Enquanto Anni investiga como o fio cria ritmo e estrutura, eu utilizo o fio no crochê para falar de memória, brasilidade, natureza e corpo. Em ambos os casos, o fio deixa de ser apenas um material e passa e ser um meio de pensamento e de reflexão.

O material tem algo a dizer.

Em vez de forçar uma ideia sobre o fio, ela procura descobrir o que o próprio fio permite revelar. Essa postura de quase uma escuta diante do material é uma das razões pelas quais seu trabalho continua sendo tão atual.


  • Anni Albers - Under Way, 1963
  • Anni Albers - Intersecting, 1962
  • Anni Albers - Haiku, 1961
  • Anni Albers - South of the Border, 1958
  • Anni Albers - Open Letter, 1958
  • Anni Albers - Pasture, 1958
  • Anni Albers - In orbit, 1957
  • Anni Albers - Red Meander, 1954
  • Anni Albers - Red and Blue Layers, 1954
  • Anni Albers - With Verticals, 1946
  • Anni Albers - Ancient Writing, 1936
  • Anni Albers - Wallhanging, 1926

Fontes:

 
 
 

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